É quase um consenso não dito de que a submissa ideal é aquela que não ama, que não se envolve, que não sente fundo, porque o amor é visto como o caminho para a posse, para o ciúme, para a cobrança, para o desequilíbrio da dinâmica, como se amar automaticamente transformasse entrega em dependência e vínculo em problema, quando na verdade o que causa caos não é o amor, é a falta de maturidade emocional.
Existe uma pressão silenciosa para parecer forte o tempo todo, para parecer desapegada, para agir como se nada atravessasse, quando na verdade o corpo sente antes da cabeça permitir, a alma reconhece antes da razão aceitar e o coração se envolve mesmo quando a gente tenta ser madura, porque somos humanos antes de qualquer rótulo, e humanos criam laço mesmo quando juram que não vão.
O amor não nasce educado nem organizado, ele não pede licença, não respeita combinados emocionais criados para proteger quem não quer se envolver, ele nasce quando existe presença, quando existe cuidado real, quando existe alguém que permanece mesmo nos dias difíceis, quando existe conexão que vai além do corpo, e é por isso que tanta gente vive se culpando por amar dentro do BDSM, como se sentir fosse erro, quando na realidade sentir é só resposta natural ao vínculo criado.
O amor nunca foi o risco da dinâmica, o risco sempre foi a frieza, a ausência de responsabilidade afetiva, o tratar pessoas como experiências descartáveis, porque não é o amor que machuca, é a falta de cuidado que deixa marcas silenciosas.
O meu amor nunca foi sobre posse, nem sobre controle, nem sobre cobrança, ele sempre foi sobre querer ver o outro bem, inteiro, em paz, crescendo, mesmo quando isso exigiu maturidade, respeito aos tempos, aceitação de fases difíceis e noites em que o travesseiro virou confidente da saudade, porque amor de verdade não é colocar o outro numa gaiola afetiva, é permitir que ele exista inteiro mesmo quando isso dói em mim.
E amar o Dono nunca me transformou em dona de ninguém, nunca me fez querer tomar conta da vida dele, nunca me fez exigir reciprocidade como obrigação emocional, porque amor real não nasce da exigência, nasce da liberdade de escolher ficar, de respeitar processos, de entender que sentimento não dá direito de posse, só dá responsabilidade de cuidado.
Amar também é sentir o corpo pedindo presença enquanto a consciência escolhe respeito, é olhar o celular de madrugada com o coração acelerado e ainda assim não cobrar, é querer colo e ainda assim desejar paz para o outro, é maturidade emocional construída na dor bonita que ensina.
E foi vivendo tudo isso que eu entendi que amar nunca me diminuiu, pelo contrário, me fortaleceu por dentro, me fez mais consciente, mais inteira, mais responsável com sentimentos, porque quem ama de verdade aprende a cuidar do que toca.
O que existe em mim não é dependência, é conexão profunda construída no tempo, na presença, na escolha diária, não é carência, é vínculo real, não é fraqueza, é humanidade viva.
Eu amo sem prender, sem controlar, sem transformar sentimento em cobrança, eu amo desejando liberdade, crescimento e bem estar, mesmo quando isso exige maturidade e autocontrole emocional, porque amor que aprisiona nasce do medo, e o meu sempre nasceu do cuidado.
E talvez seja isso que torna o amor dentro do BDSM tão intenso quando é real, porque ele une entrega com consciência, intensidade com respeito, vínculo com liberdade, desejo com cuidado emocional.
O amor que eu carrego não é frio nem exagerado, ele é profundo, presente e verdadeiro, daqueles que permanecem mesmo quando o silêncio pesa e a saudade aperta.
E é nesse lugar que eu escolhi amar.
🔚carla slave

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